Um dia você acorda e sente que já não é mais o mesmo, que o cheiro da vida mudou, que as antigas motivações não lhe servem mais, como roupas antigas e apertadas, desbotadas pelo uso excessivo.
Um dia você acorda e percebe que a luz está diferente, que os sons da vizinhança não lhe dizem mais respeito, que o som do seu coração está cansado das mesmas batidas na terra, seu coração está pedindo é para voar .Percebe que antigos sonhos estão voltando, mas não têm lugar naquele pouco espaço que lhes foi destinado, como uma revoada de passarinhos a fazer um barulho incrível no seu peito, batendo asas e soltando penas.
Você acorda e se dá conta do que não fez, de onde não chegou, dos arranjos e das coisas e gentes que usou para seu gozo, e no entanto, não conseguiu ser íntegro consigo mesmo.
Um dia acorda e percebe: decepcionado, quis crer em tantas crenças e doutrinas, se esforçou para agradar a gregos e troianos, disse "sim" quando queria dizer "não", e deixou de falar "não" tantas vezes que já não sabia mais qual era o seu querer, quais eram os seus sabores preferidos e a direção que escolheu caminhar.
Da mesma forma, acorda e percebe que estava com saudade da sua música, seus livros, seus segredos e seu ócio. Acorda e olha para o teto, vê possibilidades acima do teto; sorri, simpatizando-se com a aranha tecendo teimosa a despeito das estocadas diárias da vassoura.Sem se render, ela recomeça toda noite, e agora você se dá conta que existe a coragem de recomeçar.
Um dia você acorda e lembra que riu, comeu e sentou a mesa com gente que de fato nunca se importou, e você oferecendo seu melhor sorriso em troca de aceitação. Que bobagem. Lembra que não protestou diante de absurdos, recolhendo-se à boa educação de sempre.Lembra que deu o relógio para a pessoa errada, e deixou de abraçar por puro preconceito, e que não tentou mais uma vez.
Um dia você acorda cansado de dizer que está cansado de viver, e decide que vai correr o risco de recapitular suas teologias e filosofias.
Um dia. Um dia você acorda.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
SOBRE O INIMIGO
Caramba, como se fala no diabo! Fico impressionado como ele se tornou necessário. O diabo suga a fé, derruba crente, se infiltra em poderosas redes de televisão, envia pragas, fura pneu de carro, provoca terremotos, conhece os limites dos municípios e domina territórios. Compete e ganha de Deus. É diabo para cá e para lá o tempo todo. Se alguém está triste, advinha quem mandou a tristeza. Se alguém duvida, advinha quem mandou a dúvida. Se alguém adoece, advinha quem mandou a enfermidade. Arre! Chega! Será que ninguém vai assumir o que faz? Fica fácil culpá-lo já que o mundo inteiro está controlado, guiado, dominado, manipulado e organizado por Satã. Mas o Bicho merece o estatus de espantalho, Judas, bode expiatório? Até quando os humanos vão projetar nele suas mazelas?Dá para compreender tanta importância. Como se levantaria dinheiro nas igrejas se o Capeta não fosse a estrela do show da fé? Como televangelistas inculcariam pavor nas pessoas se o Coisa-Ruim não fosse tão medonho? Como as poderosas multinacionais da fé subsidiariam seus projetos se o Demo não adquirisse tanta força? Confesso. Tenho medo de uma religião em que o mal se torna o pivô da espiritualidade. Fico apreensivo com uma fé que não pode prescindir de ameaças e arredio com uma ética constrangida pela possibilidade de Satanás ter direitos legais para arrasar as pessoas que erram.
Não discuto a sua existência. Fico apenas suspeitoso com tanta badalação. Eu já não gostava dele, agora não aguento mais ouvir falar na Peste. Por mim, Belzebu não receberia nenhum jabá. Eu não permito que ele dê o tom do meu culto a Deus; não aceito que seja a minha motivação para agir. Enfim, não deixo que ele tome o lugar de Jesus.
Soli Deo Gloria
(Ricardo Gondim)
Não discuto a sua existência. Fico apenas suspeitoso com tanta badalação. Eu já não gostava dele, agora não aguento mais ouvir falar na Peste. Por mim, Belzebu não receberia nenhum jabá. Eu não permito que ele dê o tom do meu culto a Deus; não aceito que seja a minha motivação para agir. Enfim, não deixo que ele tome o lugar de Jesus.
Soli Deo Gloria
(Ricardo Gondim)
sábado, 23 de maio de 2009
BUG (ALHOS)

Depois da Mulher Melancia, Mulher Moranguinho, Mulher Melão e tantas outras hortifrútis, é hora de conhecer a Mulher Alho.
fonte: Cerveja bem
sábado, 16 de maio de 2009
INVEJA
“Um ventrudo sapo grasnava em seu pântano quando viu resplandecer no mais alto de uma pedra um vaga-lume. Pensou que nenhum ser teria direito de luzir qualidades que ele mesmo não possuiria jamais. Mortificado pela sua própria impotência, saltou em direção a ele e o encobriu com seu ventre gelado. O inocente vaga-lume ousou perguntar ao seu algoz: Por que me tapas? E o sapo, congestionado pela inveja, apenas conseguiu interrogá-lo: Por que brilhas?”.
terça-feira, 12 de maio de 2009
EXCELÊNCIA E AMOR
Padre Antônio Vieira contou uma breve parábola sobre o amor.
Certo homem saiu para caçar. Tentou acertar vários animais, mas errou todos. Ruim de pontaria e mal sucedido em abater um bicho que alimentasse a família, voltava triste para o lar.
A poucos metros da porta de casa, viu uma cobra enrolada no pescoço do filho caçula. Sem hesitar retesou o arco e flechou a serpente. Acertou-lhe em cheio e salvou a vida do filho.
Vieira então pergunta: “O que fez o pai para acertar a cabeça da áspide, se era um péssimo caçador, ruim de pontaria?”. Por que, de repente, o homem fez-se exímio no arco e flecha?
Vieira responde: “O amor”. O amor sempre forja especialista, sempre cria excelência. As pessoas tornam-se criteriosas devido ao afeto.
Quem ama não aceita a lógica do “de qualquer jeito”; aliás, detesta “jeitinhos”. Extravagante nos gestos, refina atitudes. Os amantes caminham milhas extras sem perceber; transformam as decisões banais em mandamentos divinos. O esmero nasce do amor.
( Ricardo Gondim )
Certo homem saiu para caçar. Tentou acertar vários animais, mas errou todos. Ruim de pontaria e mal sucedido em abater um bicho que alimentasse a família, voltava triste para o lar.
A poucos metros da porta de casa, viu uma cobra enrolada no pescoço do filho caçula. Sem hesitar retesou o arco e flechou a serpente. Acertou-lhe em cheio e salvou a vida do filho.
Vieira então pergunta: “O que fez o pai para acertar a cabeça da áspide, se era um péssimo caçador, ruim de pontaria?”. Por que, de repente, o homem fez-se exímio no arco e flecha?
Vieira responde: “O amor”. O amor sempre forja especialista, sempre cria excelência. As pessoas tornam-se criteriosas devido ao afeto.
Quem ama não aceita a lógica do “de qualquer jeito”; aliás, detesta “jeitinhos”. Extravagante nos gestos, refina atitudes. Os amantes caminham milhas extras sem perceber; transformam as decisões banais em mandamentos divinos. O esmero nasce do amor.
( Ricardo Gondim )
segunda-feira, 4 de maio de 2009
AFETOS
Não sei se vocês já perceberam que as pessoas acham muito mais fácil exprimir seus ódios e raivas que seus gostares e afetos.
Já me perguntei várias vezes sobre as razões deste aleijão absurdo, e a única explicação que me vem à cabeça é que, ao fazer explodir seus ódios e raivas, as pessoas se sentem como tigres, temíveis e fortes animais de caça. Enquanto que, ao mostrar o seu gostar, elas se sentem como aves indefesas, tolas e ridículas, prisioneiras na arapuca do outro.
E para não se sentirem presas, preferem deixar preso o gostar, no silêncio...
(Rubem Alves)
Já me perguntei várias vezes sobre as razões deste aleijão absurdo, e a única explicação que me vem à cabeça é que, ao fazer explodir seus ódios e raivas, as pessoas se sentem como tigres, temíveis e fortes animais de caça. Enquanto que, ao mostrar o seu gostar, elas se sentem como aves indefesas, tolas e ridículas, prisioneiras na arapuca do outro.
E para não se sentirem presas, preferem deixar preso o gostar, no silêncio...
(Rubem Alves)
segunda-feira, 27 de abril de 2009
O PODER DAS PALAVRAS
Na vida agitada a que estamos mergulhados, com tantos compromissos e tempo escasso, não temos oportunidade de conscientizarmo-nos da importância das palavras. A palavra consola, ensina e aquece, mas também mata, humilha e destrói. Quando dita em tom ferino, machuca e dói. Atiça nação contra nação, família contra família, pai contra filho e filho contra pai. Instila ódios, esmaga sonhos e leva ao desespero. Seu poder é tamanho que pode destruir sem deixar pistas, através de injúrias, calúnias, humilhações e zombarias. Ditas no calor da ira, penetram feito dardo envenenado, abrindo feridas profundas, difíceis de se curar, reboando no íntimo de cada um por um tempo que parece interminável. Só o entendimento e compreensão de um coração compassivo é capaz de eliminar da mente os rancores, imunizando-nos contra a palavra maldita.
Como seres humanos, produzimos e captamos energias. Assim, quando falamos coisas boas, elas atingem o outro e voltam com mais força para nós. O mesmo poder tem as palavras destruidoras. Não foi à-toa que Jesus recomendou a seus discípulos que desejassem a paz a todos que encontrassem pelo caminho. Irradiando paz estaremos também conquistando-a em nosso interior. Uma palavra de carinho, de alegria, de esperança é como uma brisa suave a ativar nossas melhores energias. Distribuir conhecimentos, resgatando pessoas da ignorância, enchem nossos corações da mais plena satisfação. Dizer coisas boas não custa nada e fazem um grande bem.
Os grandes ídolos, que possuem seguidores em toda parte, não refletem sobre o exemplo que dão com suas palavras e comportamento. Portanto, é imprescindível analisar tudo que se diz, o seu alcance, assim como suas conseqüências. Aprendemos a semear apenas palavras boas e construtivas. E estejamos cientes da importância do silêncio, pois em muitos momentos ele é de grande necessidade. A tagarelice cansa os ouvidos com suas frases sem consistência. Dizer "bom dia", "obrigado", e "pôr favor" indica bons princípios e respeito pelos semelhantes. Usar as palavras para alegrar, incentivar e apoiar é dever de todos. Entretanto, existem pessoas que sentem prazer em deixar os outros no chão, não perdendo oportunidade para despejarem maledicências. Sejamos cuidadosos com nossas palavras. Elas são poderosas.
(Artigo de Lúcia Regina Mello, publicado no Jornal Boa Nova, Edição 14/1997)
Como seres humanos, produzimos e captamos energias. Assim, quando falamos coisas boas, elas atingem o outro e voltam com mais força para nós. O mesmo poder tem as palavras destruidoras. Não foi à-toa que Jesus recomendou a seus discípulos que desejassem a paz a todos que encontrassem pelo caminho. Irradiando paz estaremos também conquistando-a em nosso interior. Uma palavra de carinho, de alegria, de esperança é como uma brisa suave a ativar nossas melhores energias. Distribuir conhecimentos, resgatando pessoas da ignorância, enchem nossos corações da mais plena satisfação. Dizer coisas boas não custa nada e fazem um grande bem.
Os grandes ídolos, que possuem seguidores em toda parte, não refletem sobre o exemplo que dão com suas palavras e comportamento. Portanto, é imprescindível analisar tudo que se diz, o seu alcance, assim como suas conseqüências. Aprendemos a semear apenas palavras boas e construtivas. E estejamos cientes da importância do silêncio, pois em muitos momentos ele é de grande necessidade. A tagarelice cansa os ouvidos com suas frases sem consistência. Dizer "bom dia", "obrigado", e "pôr favor" indica bons princípios e respeito pelos semelhantes. Usar as palavras para alegrar, incentivar e apoiar é dever de todos. Entretanto, existem pessoas que sentem prazer em deixar os outros no chão, não perdendo oportunidade para despejarem maledicências. Sejamos cuidadosos com nossas palavras. Elas são poderosas.
(Artigo de Lúcia Regina Mello, publicado no Jornal Boa Nova, Edição 14/1997)
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