Na vida agitada a que estamos mergulhados, com tantos compromissos e tempo escasso, não temos oportunidade de conscientizarmo-nos da importância das palavras. A palavra consola, ensina e aquece, mas também mata, humilha e destrói. Quando dita em tom ferino, machuca e dói. Atiça nação contra nação, família contra família, pai contra filho e filho contra pai. Instila ódios, esmaga sonhos e leva ao desespero. Seu poder é tamanho que pode destruir sem deixar pistas, através de injúrias, calúnias, humilhações e zombarias. Ditas no calor da ira, penetram feito dardo envenenado, abrindo feridas profundas, difíceis de se curar, reboando no íntimo de cada um por um tempo que parece interminável. Só o entendimento e compreensão de um coração compassivo é capaz de eliminar da mente os rancores, imunizando-nos contra a palavra maldita.
Como seres humanos, produzimos e captamos energias. Assim, quando falamos coisas boas, elas atingem o outro e voltam com mais força para nós. O mesmo poder tem as palavras destruidoras. Não foi à-toa que Jesus recomendou a seus discípulos que desejassem a paz a todos que encontrassem pelo caminho. Irradiando paz estaremos também conquistando-a em nosso interior. Uma palavra de carinho, de alegria, de esperança é como uma brisa suave a ativar nossas melhores energias. Distribuir conhecimentos, resgatando pessoas da ignorância, enchem nossos corações da mais plena satisfação. Dizer coisas boas não custa nada e fazem um grande bem.
Os grandes ídolos, que possuem seguidores em toda parte, não refletem sobre o exemplo que dão com suas palavras e comportamento. Portanto, é imprescindível analisar tudo que se diz, o seu alcance, assim como suas conseqüências. Aprendemos a semear apenas palavras boas e construtivas. E estejamos cientes da importância do silêncio, pois em muitos momentos ele é de grande necessidade. A tagarelice cansa os ouvidos com suas frases sem consistência. Dizer "bom dia", "obrigado", e "pôr favor" indica bons princípios e respeito pelos semelhantes. Usar as palavras para alegrar, incentivar e apoiar é dever de todos. Entretanto, existem pessoas que sentem prazer em deixar os outros no chão, não perdendo oportunidade para despejarem maledicências. Sejamos cuidadosos com nossas palavras. Elas são poderosas.
(Artigo de Lúcia Regina Mello, publicado no Jornal Boa Nova, Edição 14/1997)
segunda-feira, 27 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
TESTE PSIQUIÁTRICO
Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao diretor:- Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui? Respondeu o diretor:- Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie. De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não.(Pense um pouco, e responda... )
- Entendi - disse o visitante - uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.
- Não - respondeu o diretor - uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo. O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?
sexta-feira, 10 de abril de 2009
O DEUS QUE ACREDITO.
"Eu acredito em Deus!!Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bispo ou pastor….O Deus em que acredito não foi globalizado.O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma idéia, uma energia, uma eminência.Não tem rosto, portanto não tem barba.Não caminha, portanto não carrega um cajado.Não está cansado, portanto não tem trono.O Deus que me acompanha não é bíblico.Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova.O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos.Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras. Nossa penitência é a reflexão.Ave Maria, Pai Nosso: isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo.Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.O Deus em que acredito não condena o prazer.Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.A cruz pesa onde tem que pesar: dentro.É onde tudo acontece e Este é o Deus que me acompanha.Um Deus simples.Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe tudo e vê tudo.Meu Deus é discreto e otimista.Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.O Deus que eu acredito também não inventou o pecado, ou a segregação de credo.E como ele me deu o Livre-Arbítrio, sou eu apenas que respondo e responderei pelos meus atos."
(RUBEM ALVES)
sábado, 4 de abril de 2009
PONTO DE VISTA
quinta-feira, 2 de abril de 2009
INVEJA

Ela estava muito feliz. A casa dos seus sonhos, que ela e seu marido estavam construindo, ficou pronta. Queriam, agora, compartilhar a sua alegria com os amigos. Decidiram, então, fazer um dia de "Open House", "Casa Aberta", para o qual todos os amigos seriam convidados. A alegria compartilhada fica maior. Foi o que ela me disse numa sessão de psicanálise. Eu me calei. Não tive coragem de falar. Na sessão seguinte ela estava mergulhada uma profunda tristeza. Nada acontecera como o esperado. Os amigos não ficaram felizes. Os visitantes trataram de estragar a sua alegria. "Mas você não acha que aquela parede amarela teria ficado melhor se tivesse sido pintada de verde?" "Esse forno de pizza: meu primo fez um; no início foi uma festa, depois foi o esquecimento. O forno está lá na casa dele, sem uso..." "Aquela escada de madeira teria dado mais classe à sua classe se fosse de granito..." Foi assim que ela aprendeu a dura lição da inveja. Não pense que seus ditos amigos ficarão felizes com a sua felicidade. Eles tratarão de destruí-la.
(Rubem Alves: Ostra feliz não faz pérola, Ed. Planeta)
quarta-feira, 1 de abril de 2009
PATOS SELVAGENS
Era uma vez um bando de patos selvagens que voava nas alturas. Lá em cima era o vento, o frio, os horizontes sem fim, as madrugadas e os poentes coloridos. Tudo tão bonito! Mas era uma beleza que doía. O cansaço do bater das asas, o não ter casa fixa, o estar sempre voando e as espingardas dos caçadores... Foi então que um dos patos selvagens, olhando lá das alturas para a terra aquí em baixo viu um bando de patos domésticos. Eram muitos. Estavam tranquilamente deitados à sombra de uma árvore. Não precisavam voar. Não havia caçadores. Não precisavam buscar o que comer: o seu dono lhes dava milho diariamente. E o pato selvagem invejou os patos domésticos e resolveu juntar-se a eles. Disse adeus aos seus companheiros, baixou seu voo e passou a viver a vida mansa que pedira a Deus. E assim viveu por muitos anos. Até que... Até que, num ano como os outros chegou de novo o tempo da migração dos patos. Eles passavam nas alturas no fundo do azul do céu, grasnando, um grupo após o outro. Aquelas visões dos patos em voo, as memórias das alturas, aqueles grasnados de outros tempos começaram a mexer com alguma lugar esquecido dentro do pato domesticado, o lugar chamado saudade. Uma nostalgia pela vida selvagem, pelas belezas que se vêem nas alturas, pelo fascínio do perigo... Até que não foi possível aguentar a saudade. Resolveu voltar a ser pato selvagem que fora. Abriu suas asas, bateu-as para voar, como outrora... mas não voou. Caiu. Esborrachou-se no chão. Estava gordo demais. E assim passou o resto da sua vida: em segurança. gordo de barriga cheia, protegido pelas cercas e triste por não poder voar.(Rubem Alves: Ostra feliz não faz pérola. Ed. Planeta.)
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